Caixa de Vidro: Textos

Hilda Hilst

“Ávidos de ter, homens e mulheres caminham pelas ruas.
As amigas sonâmbulas, invadidas de um novo a mais querer,
Se debruçam banais, sobre as vitrines curvas.
Uma pergunta brusca, enquanto tu caminhas pelas ruas.
Te pergunto: E a entranha?
De ti mesma, de um poder que te foi dado
Alguma coisa clara se fez? Ou porque tudo se perdeu
É que procuras nas vitrines curvas, tu mesma,
Possuída de sonho, tu mesma infinita, maga,
Tua aventura de ser, tão esquecida?
Por que não tentas esse poço de dentro
O incomensurável, um passeio veemente pela vida?
Teu outro rosto. Único. Primeiro. E encantada
De ter teu rosto verdadeiro, desejarias nada.
Vínicius de Moraes – O velho e a flor

Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:

O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor

Texto de Glauber Rocha – Carol Sudati

Frio Fio
Não escutamos
Nem suamos
Frente ao fogo
À cidade
Dentro dos vidros
Capas quentes
Gestos
Furias dos
olhares à cidade [supor
[o crime de cada
aqui não podemos sucumbir
à trave (nossa) do mal
cada um
a cidade engole
apesar de nossas gargantas
nem os dentes ruem
quanto riso não há
pelo dentro fora
do vidro que nos gaiola
do abismo da cidade
quando a presa da morte

Glauber Rocha

Julio Flores

LA ARAÑA 
Entre las hojas de laurel, marchitas,
de la corona vieja,
que en lo alto de mi lecho suspendida,
un triunfo no alcanzado me recuerda,
una araña ha formado
su lóbrega vivienda
con hilos tembladores
más blancos que la seda,
donde aguarda a las moscas
haciendo centinela
a las moscas incautas
que allí prisión encuentran,
y que la araña chupa
con ansiedad suprema.

He querido matarla:
Mas… ¡imposible! Al verla
con sus patas peludas
y su cabeza negra,
la compasión invade
mi corazón, y aquella
criatura vil, entonces,
como si comprendiera
mi pensamiento, avanza
sin temor, se me acerca
como queriendo darme
las gracias, y se aleja .
después, a su escondite
desde el cual me contempla.

Bien sabe que la odio
por lo horrible y perversa;
y que me alegraría
si la encontrara muerta;
mas ya de mí no huye,
ni ante mis ojos tiembla;
un leal enemigo
quizás me juzga, y piensa
al ver que la ventaja
es mía, por la fuerza,
¡que no extinguiré nunca
su mísera existencia!
En los días amargos
en que gimo, y las quejas
de mis labios se escapan
en forma de blasfemias,
alzo los tristes ojos .
a mi corona Vieja,
y encuentro allí la araña,
la misma araña fea
con sus patas peludas
Y su cabeza negra,
¡como oyendo las frases
que en mi boca aletean!

En las noches sombrías
cuando todas mis penas
como negros vampiros
sobre mi lecho vuelan,
cuando el insomnio pinta
las moradas ojeras,
y las rojizas manchas
en mi faz macilenta,
me parece que baja
la araña de su celda,
y camina y camina…
y camina sin tregua
por mi semblante mustio
hasta que el alba llega.
¿Es compasiva? ¿Es mala?
¿Indiferente? Vela
mi sueño, y, cuando escribo,
silenciosa me observa.
¿Me compadece acaso?
¿De mi dolor se alegra?
¡Dime quién eres, monstruo!
¿En tu cuerpo se alberga
un espíritu? Dime:
¿Es el alma de aquella
mujer que me persigue,
todavía, aunque muerta?
¿La que mató mi dicha
y me inundó en tristeza?

Dime: ¿Acaso dejaste
la vibradora selva,
donde enredar solías,
tus plateadas hebras,
en las obscuras ramas
de las frondosas ceibas,
por venir a mi alcoba,
en el misterio envuelta,
como una envidia muda,
como una viva mueca?
¡Te hablo y tú nada dices,
te hablo y no me contestas!
¡Aparta, monstruo, huye
otra vez, a tu celda!

Quizás mañana mismo,
cuando en mi lecho muera,
cuando la ardiente sangre
se cuaje entre mis venas
y mis ojos se enturbien,
tú, alimaña siniestra,
bajarás silenciosa
y en mi obscura melena
formarás otro asilo,
formarás otra tela,
sólo por perseguirme
¡hasta en la misma huesa!

¡Qué importa!… nos odiamos,
pero escucha: no temas,
no temas por tu vida,
¡es toda tuya, entera!
¡Jamás romperé el hilo
de tu muda existencia!
Sigue viviendo, sigue,
pero… ¡oculta en tu cueva!
¡No salgas! ¡No me mires!
No escuches más mis quejas,
ni me muestres tus patas,
¡ni tu cabeza negra!…
Sigue viviendo sigue,
inmunda compañera,
entre las hojas de laurel marchitas
de la corona vieja,
que en lo alto de mi lecho suspendida
¡un triunfo, no alcanzado, me recuerda!

Tradução de Que tal o impossível de Itamar Assumpção:

QU’EST-CE QUE TU PENSE DE L’IMPOSSIBLE

Et si nous deux vivraient
De la manière qu’on voulaient
Sans rien pour nous déranger
Et si tout on avait

Et si on réalisaient
Cela qu’on rêvaient
Des pommes tendre on mangeaient
Et si on se baisaient

Et si nous deux dormaient
Et se reveillaient regardant dans les yeux
Et si nous deux très heureux
Et si nous deux volaient

Et si nous deux pourraient
Cela qu’on désiraient
Et si nous deux chantaient
Si on jouaient et nous mêmes dançaient

Et si on partaient
Et si seules on restaient
Et si on aimaient au maximum
Et dans le ciel on habitaient

Qu’est-ce que
Qu’est-ce que tu pense de l’impossible
Qu’est-ce que
Qu’est-ce que tu pense de l’impossible

O Teatro das Ideias  – Bernard Shaw

“COMO TORNAR-SE UM GÊNIO.

No fundo, o grande segredo é o seguinte: os gênios não existem. Eu sou um gênio e portanto sei. O que há é uma conspiração para fazer de conta que os gênios existem e uma escolha das pessoas certas para assumir o papel imaginário de gênio. O difícil é ser escolhido.

Pensando bem, acho que isso é simples demais para servir de explicação. Vamos tentar outro caminho. Você admitirá, pelo menos, que embora o Homem tenha – como cinicamente acredita – excelentes razões íntimas para não se dar muito valor, tem também um nobre desejo de aperfeiçoar-se – ele aspira a coisas melhores, como se diz normalmente. Pois bem: quando uma criança deseja algo que não tem, o que ela faz? Faz de conta que tem. Monta numa varinha e promove uma conspiração para fazer a varinha passar por cavalo. Ao crescer, ela deixa de fazer de conta que a varinha é um cavalo, não porque tenha superado a mania de conspirar para sustentar ilusões, mas sim porque a vida adulta a coloca em um plano em que pode conseguir cavalos de verdade e a partir desse ponto torna-se desnecessário fazer de conta. Nesse momento, levanta-se a mão que mantinha os olhos fechados para o absurdo do fazer de conta. É só por isso que se diz que o homem adulto, ou o civilizado, é mais ‘ajuizado’ que a criança, ou o selvagem. Como ele pode conseguir mais, finge menos. Mas com relação às coisas que estão fora do seu alcance, ele faz de conta com tanta desfaçatez quanto uma criança de cinco anos.

Por exemplo, como dissemos, ele deseja aperfeiçoar-se. Mas será que isso é possível? – pois o Homem, mesmo que pense o contrário, não tem a capacidade de conceber nada que não faça parte da sua própria experiência e, portanto, em certo sentido, não pode conceber nada que seja maior que ele próprio, nem desejar algo que não tenha concebido. Mas essa dificuldde é de fácil transposição. Diga-me, prezado senhor ou senhora: quem é você? É você quando está com pessoas amigas, ou quando está entre pessoas hostis? É você antes, ou depois do jantar? É você rezando, ou fazendo negócios? Ouvindo uma sinfonia de Beethoven, ou sendo empurrado por um policial para dar passagem a um cortejo? Comprando um presente para o seu primeiro amor, ou pagando imposto? Fascinando a todos com as suas melhores roupas, ou escondendo os chinelos do olhar alheio? Se um inimigo seu selecionasse um momento de sua vida para julgá-lo, você não apareceria mau, feio, covarde, vulgar, lascivo, mesmo que fosse um Goethe? E se você próprio escolhesse esse momento, não apareceria generoso e belo, ainda que, na média de todos os momentos, seja uma pessoa miserável e repulsiva? Por pior que seja, você é corajoso quando não há perigo e dadivoso quando ninguém lhe pede nada. Daí a atração pelos heróis de novelas e livros prediletos.

Assim, nossa experiência nos oferece material para o conceito de uma pessoa sobre-humana. Basta você imaginar alguém que seja sempre tão bom quanto você nos dez melhores segundos de sua vida, sempre corajoso como você se sentiu ao ler Os Três Mosqueteiros, sempre instantaneamente sábio como os livros em que os filósofos registraram as corrreções dos erros de seu temppo, sempre desprendido como você se sente quando está plenamente satisfeito, sempre belo e nobre como sua esposa ou seu marido lhe pareceu no auge da paixão que levou à experiência matrimonial que talvez depois você tenha lamentado, e aí está o seu poeta, o seu herói, a sua Cleópatra, ou quem quer que você escolha para simbolizar o nível sobre-humano, por meio de uma simples reorganização de sua própria experiência, a qual, por sua vez, foi construída em grande parte pelo mesmo processo.

Em verdade eu digo que sábio é aquele que diz: Para que iludir-me assim tão tolamente? Por que não dirigir meu afeto, minha esperança e meu entusiasmo aos homens e mulheres como eles são, mudando de um dia para o outro, raramente capazes de enxergar o céu além das nuvens, ao invés de fixar-me nesses monstros ideais que nunca existiram e nunca existirão e por causa dos quais os homens e mulheres se desprezam mutuamente e tornam a terra ridícula com o pessimismo, que é o fim inevitável de todo idealismo? Mas o homem médio ainda não é sábio: ele tem seus ideais assim como a criança tem o seu cavalo de varinha. E quanto mais baixo ele estiver, mais extravagantes serão suas exigências. Todos sabemos quão exigente e severo é o subalterno mais reles quando se trata do caráter e do comportamento da mulher a quem ele propôs confiar a honra do seu nome, e como o grande homem escandaliza os amigos com sua tolerância para com os publicanos e pecadores. Aqui também, se você escreve peças como essas que são exibidas em teatros de baixa reputação, cujos freqüentadores são todos batedores de carteira, o seu personagem tem de mostrar grande indignação e fervente honestidade, com uma ênfase que uma platéia habituada a respeitar a lei não agüentaria nem por meia hora.

Observe ainda que o ator que se exibe para a platéia de ladrões não é, na verdade, um homem inquebrantavelmente honesto: apenas corresponde ao desejo do público, que faz de conta que ele é assim. Mas não conclua por isso que ele não conquistou sua posição por méritos próprios. Se assim fosse, por que seria ele o herói da peça e não o “cavalheiro extra”, que transporta em silêncio um estandarte e que cobiça veementemente o salário e o lugar dele no elenco? Certamente devido à grande arte com que o herói sabe prestar-se à conspiração. A platéia anseia por cada centímetro a mais de profundidade de sua ilusão e por cada centímetro está disposta a pagar bom dinheiro; do mesmo modo, e com a mesma emoção, repudia o ator que não consegue produzir a ilusão ou, pior ainda, o que a destrói. Portanto o ator, embora possa não ter os méritos a ele adscritos, tem o mérito de fingi-los bem; e nessa, como em todas as demais circunstâncias, é preciso, como bem disse Dumas Filho, uma “boa dose de mérito para ter mesmo uma pequena dose de sucesso”. Mas isso se deve apenas ao fato de a competição pelos papéis principais ser tão intensa no mundo moderno. O público não é exigente: escolhe o melhor entre dois atores para ser seu herói quando tem escolha; mas sempre haverá um herói, ainda que o melhor ator seja péssimo, como tantas vezes acontece.

Agora vamos do microcosmo para o macrocosmo – do teatro barato para o grande palco shakespeariano do ‘mundo todo’, que tem também, observe-se, os seus ladrões na platéia. Nesse palco há muitos papéis a serem atribuídos, pois o público tem seu ideal de reai, presidente, homem de Estado, santo herói, poeta, Helena de Tróia e gênio. Ninguém pode SER esses entes fictícios; mas alguém tem de representá-los para que o público não ponha o teatro abaixo. Napoleão, vencedor de tantas batalhas, convocado para desempenhar o papel de imperador, levou em conta as realidades da situação e, em vez de imitar o César ou o Carlos Magno ideais, tomou lições com Talma. Outros papéis de reis são hereditários: os Romanoffs, Hohenzollerns e Guelfos passeiam por seus papéis com tranquilidade, sabendo que com uma coroa na cabeça seu “Como vai?” parece afável e encantador a todos, suas platitudes e perorações passam por eloquencia real e suas maneiras e seu manto revelam-se do mais fino gosto. A divindade que protege o rei lança-se com igual determinação contra o republicano ou contra o alfaiate da corte. Eu vi um livro de uma senhora americana em que a princesa de Gales é comparada, como em um êxtase, a “uma vestal que se ajoelha em um sacrário”. Na Inglaterra, um juiz pode ser o resultado de uma promoção de um advogado vulgar que gosta de contar anedotas de mau gosto sobre casos de promessas quebradas; emite sentenças vingativas com ar de santidade e se diverte à noite como um boêmio. Mas ele é sempre visto e descrito como um verdadeiro Daniel diante do julgamento. As opiniões do sr. Gladstone sobre a maioria dos temas sociais são demasiado infantis para a compreensão da nova geração; e lorde Salisbury comete erros a respeito das funções dos órgãos governamentais que o incapacitariam para exercer as funções de sacristão de igreja; mas amboas tem muito sucesso em seus papéis de estadistas eminentes. Se o bobo da familia passar raspando no exame sobre o texto grego da Biblia tal como aplicado pelo capelão do bispo e começar a abotoar o colarinho atrás, como os clérigos, será instantaneamente reverenciado pelo homem de Deus. E o policial com o seu cassetete e uniforme, representa coisas impronunciáveis para o menino da rua. O público os investiu com os atributos de seus ideais; a partir daí, o homem que trai a “verdade a” respeito deles profana esses ideais e recebe o tratamento merecido.

Está claro agora como proceder para tornar-se um gênio. Você deve ativar a imaginação do público de modo que as pessoas o escolham como a encarnação de seu ideal de gênio. Fazer isso requer, sem dúvida, algumas qualidades extraordinárias e bastante engenho profissional; mas não é de modo algum necessário ser aquilo que o público faz de conta que você é. Ao contrário, se você próprio acreditar no ideal e não tiver a vaidade necessária para crer-se capaz de realizá-lo; se desistir, desencorajado por sentir que você não é como se imagina; se não souber, como sabe todo conspirador, que a imaginação do público compensará todas as suas deficiências e lutará em defesa de sua total autenticidade como o fanático luta por sua crença, então você será um fracasso. ‘Cumpra bem o seu papel: é aí que está a honra’.

É possível, contudo, que as circunstâncias lhe reservem um papel tão humilde que mesmo o maior dos talentos dificilmente logrará levá-lo à notoriedade. Você deve então contentar-se com a obscuridade ou fazer o que fez Sothern com o papel de lorde Dundreary em Our American Cousin, ou o que fez Frédéric Lemaître com o papel de Robert Macaire em L’auberge des Adrets. Drespreze a intenção do autor e crie para si mesmo um fantástico papel a partir de um personagem meramente circunstancial ou de um vilão melodramático comum e corrente. Este é o recurso ao qual fui levado. Há muito pouco tempo, a produção de uma peça minha (Arms and the Man) em Nova York levou os jornais da cidade a publicar uma série de críticas brilhantes e estudos biográficos de uma pessoa notável chamada Bernard Shaw. Supõe-se que eu seja essa pessoa; mas não sou. Não existe tal pessoa; nunca existiu; nunca existirá, nem poderá existir. Pode acreditar no que digo porque eu o inventei, divulguei, promovi e personinfiquei e agora estou aqui, sentado no meu surrado apartamento no segundo andar de uma praça decadente de Londres, comendo um mingauzinho barato no café da manhã e dando este retoque adicional em sua maquiagem por intermédio de minha máquina de escrever. Minha confissão não abalará nem um pouco a fé do público; eles dirão apenas ‘Como ele é cínico!’ e talvez os mais sensíveis digam: ‘Que pena que ele seja tão cínico!’.

É um erro, no entanto, pensar que o homem tenha que ser ou cínico ou idealista. Ambos têm como crença básica  convicção de que a humanidade, tal como é, é detestável. A partir dessa pequena e fatal infidelidade, o idealista escapa fazendo de conta que os homens podem ser treinados, doutrinados, cultivados, governados, educados e auto-reprimidos até acabarem tornando-se algo muito diferente do que na verdade são. O cínico vê essa regeneração como uma impostura e acha que o bruto, lascivo e egoista continua sendo bruto, lascivo e egoista sob a beca do professor, a batina do padre, a toga do juiz, o uniforme do soldado, o halo do santo, a coroa do rei e os louros do poeta. Mas diga-me de onde vem essa premissa fundamental dos idealistas e dos cínicos de que é preciso pedir desculpas pela natureza humana? Por que reclamar do homem como ele é ou como pode tornar-se e não reclamar das imperfeições do sistema solar? Tudo o que se pode dizer é que os homens, mesmo quando dão o melhor de si, não podem ser idealmente bons, idealmente honestos, idealmente castos, idealmente corajosos e assim por diante. Por que razão isso seria mais importante que o fato igualmente significativo de que também nos faltam olhos na parte de trás da cabeça (fonte de graves inconvenientes), ou de que vivemos apenas algumas dezenas de anos e não milhares? Acaso as pessoas sadias e ocupadas choram porque queriam ter a lua para si, ou fazem de conta que a possuem em uma caixa de vidro, ou crêem que seria melhor se a possuissem de fato, ou zombam de si próprias ou dos outros por não possui-la? Pois está chegando o tempo em que as pessoas crescidas já não vão chorar por seus ideais presentes assim como não choram pela lua.

Nem mesmo o sistema  idealista prova que falte veracidade à raça humana. Os assuntos morais requerem algum poder de pensamento e o homem comum raramente pensa, e acha tão dificil quando tenta fazê-lo que não sabe como prosseguir sem o auxilio de aparelhos. Assim como não consegue calcular sem símbolos ou medir sem réguas, quando se trata de raciocinar dedutivamente, ele não pode deixar de formular hipóteses, postulados, definições e axiomas que não correspondem a nada que exista de verdade. A atuação de um capitalista, tal como deduzida por um economista político, e a trajetória de uma bala, tal como deduzida por um físico, não coincidem com a realidade, porque a realidade é o resultado de muitos fatores além daqueles que o economista ou o físico são capazes de levar em conta com seu limitado poder de pensamento. O problema tem que ser simplificado para poder ser estudado. Isso se faz imaginando-se um capitalista ideal, destituido de qualquer motivação que não sejam as mercenárias, e uma arma ideal, apontada em uma direção ideal, com precisão ideal, dirigida em seu movimento apenas pela explosão ideal da pólvora ideal e pela força da gravidade. Se aceitarmos essas ficções e acreditarmos nos resultados ideais deduzidos, veremos logo na primeira negociação, ou no primeiro tiro, que a realidade é outra. Isso não significa, no entanto, que aqueles resultados não sejam os únicos pensáveis, nas atuais circunstâncias. Pouco a pouco vamos incorporando os fatores omitidos no cálculo, substituindo o fictício pelo real e assim aproximando nossas conclusões dos fatos. O mesmo ocorre com nossas tentativas de pensarmos em termos morais.

Somos forçados a simplificar os problemas, dividindo os homens entre heróis e vilões, as mulheres entre boas e más, o comportamento entre a virtude e o vício e a personalidade entre a coragem e a covardia, a verdade e a mentira, a pureza e a licenciosidade, e assim por diante. Tudo isso é infantil; e por vezes, quando toma a forma de um homem vestido como Justiça, que determina a morte de outro homem, encarcerado como Crime, é bastante assustador. De todos os modos, esse cortejo de reis, bispos, juízes e o que mais seja é, para os intelectos mais elevados, praticamente tão válido em sua pretensão a realidade quanto a Festa do Prefeito de Londres em sua pretensão a dignidade. Um dia, nos livraremos de tudo isso.

Palavras e indicações do amigo Flávio do La Tintota

Ao Amigo Jorge,

Artista do mundo que baila redondo!!

Seguem algumas investigações sobre este tema que atravessaremos!!
Não te de texto,
não me de texto,
não te pro texto
não te      texto
texto
ta te  ti  tor  turando tudo
tal
tentativa
tiveras
torta
turmalinas
Pedra, quase vidro!!!!
O corpo é o mais belo para todo este rebento se realizar!!!
Poesia,som e espaço, precisam DESTE NOSSO TERRITORIO !!! CORPO!!
Invento!! Transparencias serão nossas sobremesas!!
POEMA EM CAIXA!!!!
Baila na areia e para no vidro que o tempo queimou na brasa, abala a gente ,parafraseando outras poesias desertas e outros graus!
caixa de vidro

estilhaço sem blindagem!!!!!!!!!!! linhagem superficial, quase transparente, turva de vapor veloz!!! Passagem!!

espanto de todos que com  o outro consomem passando!!!
terreno de abordagem, extemporanea troca sem compra primária!!!
Olhar atraves do transparente disponivel!!!
 
Para AS SUPERFICIES TRANSPARENTES  :

RETINAS CURVAS OBLIQUAS!!

PLANOS E MAIS PLANOS SOBREPOSTOS, CORPOS EMPINADOS DE ETNIAS E ETIQUETAS  DESEJANDO CHUVAS E MAIS CHUVAS DE CANǘOES CANIVETADAS DE ASSUNTOS E IMAGENS TATEANDO O MAR DE ASSUNǘAO!!

Preto BRás!!!

LIQUIDO!!! 

outras épuras perfuradas!!! Petroleos de mamas ternarias e tesos tempos

na aurora sampleada!!! sampa santa de todos !!!!!
compra e venda a partir de vidas e vitrines!!!
Conta boa e redonda!!
Quem dá mais chegue-se!!
a ela cidadela!!!
suave saudade de ser seu trauma e sua aquarela,
no invento antes de seus atores
te patetas poetas construtivos,
brutos de tanto ti
amar!!!!
para venda um a um se parte de seu particular e estabelece seu medo na multidão enfurecida de exposição e participação !!!!
Estamos à venda!!!!
Não!!!
Estamos na vida!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
EXPOSTOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
VITRINE inutil!!!
viDA  óculaR!!!
testada de tempo e temperatura na gultural garganta floresta!!!
Oculta transparencia predial!!!
objetificados de tanta verticalidade e sombra!!
Arquiteturas fluidas e desterritorializadas
vivencias de exemplos cheios
invadidos de todos os lados
nas extremidades primeiras , na ribanceira do rio proximo
fluido de nossos pes
caminhados de ignorancia e temor
ao canto dos passaros libertos
paixão
exposição
compra
e morte aguda
cabeças que cabem mais uma
cria
ação!!!
CORPO EXPOSTO
 
 
CORPO (quebradiço) e ESPAÇO ( explosão) : Chão PARA FILMAR A QUEDA EM CENA PROFUNDA ESPETACULAR
 
PALAVRAS DADAS dos dadaistas;

Para expressar a negação de todas as correntes e valores estéticos e sociais, os dadaístas usaram freqüentemente métodos artísticos e literários que eram deliberadamente incompreensíveis. Suas performances teatrais e seus manifestos eram concebidos para chocar ou desnortear o público, com o objetivo de surpreender o público através de uma reconsideração de valores estéticos aceitos. Para este fim, os dadaístas utilizaram novos materiais e incluíram objetos achados no lixo das ruas, além de novas técnicas em suas obras, como se permitissem ao acaso a determinação dos elementos que iriam compor seus trabalhos.

Embora os dadaístas tenham empregado técnicas revolucionárias, sua revolta contra os padrões estéticos vigentes estava baseada em uma convicção profunda e originada ainda na tradição romântica, na bondade essencial de humanidade, quando não corrompida através de sociedade.

Dentro da vitRine:

O indivíduo enquanto imagem

A noção de plasticidade

Corpo Capturado e Corpo Obliterado: Pablo Picasso e Marcel Duchamp

incompleto já desde o nascimento, o corpo humano dribla esse vazio e simultaneamente traduz-se como construção. Essa arquitetura — ou tessitura — contorna o aspecto precário e finito do organismo e realiza-se em meio à confecção e à manipulação de valores no mundo da cultura.

ENTRE OS DOIS MOVIMENTOS :

O CORPO E O OUTRO

Corpo Oco: Aventura nossa em ostinato!!!! Afestanismo total!!!

são espaços, que unindos-se aos outros, por intermédio das junturas ou articulações constituem arquiteturas construidas de vazios. É uma forma especializada  conjuntiva, cuja a principal característica é a mineralização  de sua matriz: criação,espanto e desejo.
O oco é um tecido vivo, complexo e dinâmico. Sólido e altamente especializado, forma a maior parte do esqueleto da  invenção e do sublime da escuridão.
Principal tecido de apoio do corpo inventariado e sem memoria ativa, participa de um contínuo processo de remodelamento dinâmico, produzindo sentidos e degradando velhos interesses relacionais e de monótonos tons.Formado por vários tecidos diferentes: tecido som, cartilaginoso espaço, densidade plastica, adiposa atuação cênica, tem nervos silenciosos e forma  sangue em nós, é corpo oco, imagem precaria de máquinas rupestres, modernidade aberta ao preenchimento insatisfeito da perfeição projetada ao tempo.
No corpo oco, a cloaca do cosmo, conspira com tudo em movimento continuo e sonha com a prequiça ao se estabelecer na pele dos nús a sensação do convívio eterno no espaço.

Se tem corpo oco
tem oco em qualquer corpo!!!!!!

Texto afestanista!!!
A Rebentação

Conceituar situações andantes, o tremor dos dedos ao tocar a matéria, espiritualizar-se explodindo sons e aversons.

Cobrir as formas de líquidos imagéticos e revelar a nitidez das coisas sem precisão.

Pulsar com novos corações que já nos habitam, emprestados de mundos arboreais.

Configurar o vigor da bagunça, a profunda criação.
Achar lugares para as coisas existirem, fazer obras ou virar a própria.
Apodrecer as luzes e ressurgir memórias luminosas.

Testar o texto como escultura, percorrer as palavras da instalação, permanecer a performance, sonorizar o sono e o riso.

Qual será nossos sabores, cheiros, toques??? Nossos ouvidos internos alheios ao que dizem??

A cena do homem moderno reflete, o contemporânea é fragmento, corte, casaco quebradiço do espetáculo, vazado pela linguagem particular de cada viver.

Entender o som do ranger do dentes e capturar a melodia implantada nestes, “uma dentadura de chips”

Participar criando entorno ou novidade dentro, é ser eternamente mole, fluido e relação.

Observar onde estão as coisas no espaço ou como o espaço se manifesta nas coisas ou ainda o espaço que existe dentro delas.

Velar- se no congelamento, revelar- se pingando em superfícies quentes, “ evaporar”

Ter um banco imagético, projetar modos de viver, de pensar e de sentir.

Ser mais matemático, sonhar e ficar atento, um a um sonha sempre diferente.

Sem piedade, sem julgo, existir com o outro em proximidade é provar do novo, permitir ser sério.

Cruzar modos, acordar os acordos entre o existir e o sonho, complementa dois e cria outros todos, em estado de passagem igual.

Fazer do capital, interior, da metrópole, o mato!!!

Entender o que faz é surpreender o fazer, interligar intensamente o interessante que cada olho vê.

O fazer artístico tem todos os atributos dos que fazem e dos que degustam, a diferença é a participação de muitos, unitário só, contrario ao se pertencer às diferenças por si, solitário, só existir pra si mesmo.

Participar do modernismo, estar contido no caldeirão globalizado, não é operar a idéia de território e nação, ser novo é vivenciar idéias culturais particulares, eis aqui outras leis, formação em processo onde não está em jogo, a cultura, aventura inaugural do receber bem, de abraços hiper fraternos de corpos pelados sem rastros pornográficos, nem cenas de tanto interesse imagético, incorporados aos museus, galerias, ao gozo do olho do espectador!!! Prova da lucidez artística!!

Perceber o sol e sua falta de dentro, dúvida entre o saber e o equívoco., enfim, incerteza matérica, campo vasto e certo do extremo paradoxo.

Estamos na vida, não no ateliê. Qual será nossa dimensão dentro deste papel branco à espera do nós?
Penso que é posicionar um processo, cristalizar, dar presença ao que ainda não sabemos.

Elementos Plástico sensoriais

– Cacunda Espectral, vestimenta espelhada em fragmentos, sugadoura de entorno “ paisagens” relocadas num corpo em movimento
– cloaca do sumidouro espetacular ( espaço, elemento plástico fragmentado em dobras por onde a paisagem refletida é dilacerada.
– maquinas de luz veloz
– caverna maquinica
– cubos gélidos em vapor
– retinas liquidas (elementos contendo liquidos cloridos com micro imagens projetadas)
– objeto surdo (elemento plástico afunilado de onde se escuta imagem)
– poemas matéricos ( elemento que aglutine materias nomeadas de poemas: pedra, pó, pano, translúcido, pau, água, etc)

Um abraço afestanista,
Flávio.
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